A promessa de uma vida de luxo na Europa ou no Médio Oriente está a custar caro ao futebol angolano. Todos os anos, dezenas de jovens promessas do nosso futebol abandonam o Girabola com a promessa de se tornarem as próximas grandes estrelas mundiais. Mas a realidade que ninguém conta nos bastidores é bem mais cruel: a maioria desaparece no banco de suplentes, cai no esquecimento ou regressa a casa com a carreira arruinada.
A questão que está a dividir
comentadores, empresários e adeptos nas redes sociais é simples, mas dolorosa:
os nossos miúdos estão a dar o salto cedo demais apenas pela ganância dos
empresários?
A tentação é gigante. Quando um
clube estrangeiro acena com notas de euros ou dólares, é difícil dizer
"não". É a oportunidade de mudar a vida da família inteira de um dia
para o outro.
Mas a verdade nua e crua é que o
futebol europeu não tem pena de ninguém.
Sem a devida maturidade tática, sem
preparação psicológica e atirados para culturas completamente estranhas, muitos
dos nossos prodígios:
- Ficam
mofados nas equipas "B" ou em campeonatos de terceira categoria.
- Perdem
os melhores anos de desenvolvimento futebolístico sem jogar 90 minutos.
- Acabam
dispensados em silêncio quando a novidade passa.
Enquanto os empresários enchem os
bolsos com comissões rápidas de transferências, o futebol nacional sofre duas
grandes estocadas:
- O
Girabola Fica Sem Brilho:
Os adeptos deixam de ir aos estádios porque as grandes promessas são
vendidas antes sequer de se tornarem ídolos locais.
- A
Seleção Perde Ritmo:
Promessas que deveriam estar a carregar os Palancas Negras chegam aos
estagios sem ritmo de jogo, porque passam meses sem entrar em campo nos
seus clubes no estrangeiro.
Por outro lado, há quem defenda com unhas e
dentes esta saída precoce. Os defensores desta "fuga de talentos"
garantem que as infraestruturas em Angola ainda estão a anos-luz do que se
oferece lá fora.
Para eles, ficar no Girabola
a ganhar pouco e a jogar em relvados fracos é um risco ainda maior. "Mais vale estar no banco na
Europa a aprender do que ser rei em Angola e estagnar a carreira",
argumentam vários agentes da praça.
A linha entre o sucesso retumbante e o fracasso
absoluto no futebol é finíssima. O talento angolano é indiscutível e puro, mas
até quando vamos ver os nossos melhores miúdos a trocarem a evolução no relvado
pela ilusão das redes sociais e dos primeiros milhares no banco?
Por: Domingos Inhembe
